sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ansiedade e o viver Agora


     Dizem que a depressão é o mal do século 21. Essa frase já é mais do que batida, mas não deixa de ser verdadeira. Aquela sensação de desânimo, falta de volição, hoje é considerada doença.A depressão entra na categoria de transtorno de humor, segundo o CID 10( Classificação internacional de doenças), que também classifica na mesma categoria Ciclotimia, distimia e a nova vedete da mídia: O transtorno afetivo bipolar. Todos esses transtornos tem em comum o fato de serem prejudiciais, principalmente no aspecto social do indivíduo. As alterações de humor não possuem uma causa específica, a não ser que sejam causadas por uso de medicamento ou substância psicoativa, o que descaracterizaria a categoria de classificação. 

    Os transtornos de ansiedade, nos quais também são colocados os transtornos obsessivo-compulsivos, estresse pós-traumático e de ansiedade generalizada, dentre outros, se caracterizam por diversos sintomas, sendo os mais comuns  insônia, preocupação excessiva, angústia permanente, dificuldade de relaxar, e não raro, aparecem os sintomas físicos como cefaleia e dores musculares e de estômago.Já para o diagnóstico de transtorno depressivo, são comuns os sintomas de desânimo, perda do interesse em atividades comuns, humor deprimido, baixa estima, falta de concentração, ideação suicida, etc.O transtorno se caracteriza por algo muito mais insidioso, de caráter permanente ou intermitente, mas que de certa forma assume o controle, preenchendo de energia psíquica os complexos pré-existentes, tirando da pessoa a possibilidade de comandar a "própria casa".
 
   Porém, o que me cabe pensar é o porquê da depressão e a ansiedade, serem tão comuns nesse atual período em que vivemos? Uma frase que me chamou a atenção e até me inspirou para começar esse post foi a seguinte: "Depressão é excesso de passado na mente; ansiedade, excesso de futuro!" É engraçado notar como essas duas entidades se misturam, formando quase um combinado, porém se revezando no comando mental do indivíduo. Ora os grilhões do passado se arrastam num sintoma depressivo, ora se aglutinam numa cobrança exagerada por um futuro que nem existe, gerando a ansiedade. E assim, as duas irmãs malvadas fazem seu ritual, atormentando nossas almas, exigindo sacrifícios em seus nomes a cada passo dado em direção a nós mesmos.

    Geralmente a ansiedade se instala com a nossa própria cobrança, nosso juiz interno repressor, também chamado por Freud de Superego, que nos instiga a sempre querer mais, a atingir um ideal, que pode ser inalcançável. Soma-se isso a uma sociedade de consumo exagerado, e teremos quase uma corrida armamentista em busca de uma felicidade "Doriana", que só é vista no núcleo rico da novela das 9. E nunca estamos satisfeitos. Não que isso seja ruim, apenas a forma como isso é passado. O desejar é do ser humano, mas o sofrimento que isso gera é que torna toda a situação um pesar.

    Já a depressão pode vir por uma situação não satisfeita, frustrações excessivas, geradas por expectativas também muito elevadas, mas que quando confrontadas com a realidade, geram esse embate entre o querer e  o poder realizar. A sociedade nos cobra, mas nós também somos os primeiros a nos cobrar por coisas que muitas vezes nem estão ao nosso alcance. Se sempre fazemos nosso melhor, por que sempre achamos que podemos mais? E assim, o descanso merecido nunca vem. 

    Há uma grande dificuldade em viver o agora, o presente. Desfrutar os momentos, sem pensar no amanhã. Acho que essa sabedoria que reside na simplicidade, de tão simples, é que nós complicamos. Não existe passado, nem futuro,pois o passado apenas revive na evocação e o futuro na imaginação. 

    Para encerrar, deixo um vídeo com uma música excelente, do cantor Oswaldo Montenegro, chamada "A lista" que fala das nossas formações de compromisso.
http://www.youtube.com/watch?v=Y5RI77hYTI4&hd=1

Grande abraço a todos.
Daniel Ramos
Psicólogo

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