sexta-feira, 28 de junho de 2013

Homenagem

Homenageando o grande Wagner Borges, vou postar um texto dele que recebi por email. Grande abraço a todos
Daniel Ramos, Psicólogo

TOQUES ETÉREOS NO CORAÇÃO – III*

Aquilo que dá no coração...
Não é coisa comum.
É algo que desce no Céu, dentro da gente.

Aquilo que dá no coração...
Não tem tempo ou idade.
É coisa especial!

Aquilo que dá no coração...
Não é branco, negro, amarelo ou vermelho.
Na verdade, têm a cor da Luz.

Aquilo que dá no coração...
Ninguém entende...
Porque não se explica, só se sente.

Aquilo que dá no coração...
Tem a capacidade de dissolver as trevas da solidão...
Porque é grande o poder de cura do Amor.

Aquilo que dá no coração...
Acende os chacras**, de formas admiráveis...
Porque o Amor chama a Luz.

Aquilo que dá no coração...
Só o Papai do Céu sabe...
Porque Ele sabe o que cada um é!

Aquilo que dá no coração...
Transcende o tempo e o espaço...
E faz os olhos ganharem o brilho do amanhecer.

Aquilo que dá no coração...
É alegria que honra a Vida.
E quem ama, sabe e compreende.

P.S.:
Aquilo que dá no coração...
E que faz o Ser viajar nas ondas de um Grande Amor...
Ah, só o Papai do Céu sabe!...


Paz e Luz.  

- Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
São Paulo, 28 de dezembro de 2012.

domingo, 23 de junho de 2013

Luto e desapego

   Da infinita sabedoria popular do escritor Ariano Suassuna, dando voz a Chicó, um de seus mais icônicos personagens, dizia a todo momento na obra "O Auto da Compadecida", que tudo que é vivo morre! As frases em tom de troça do anti-herói resumem de certa forma o que se espera da única e grande verdade imutável na vida. Por mais paradoxal que seja,o medo da morte é o que nos move para a vida. O receio de não estar vivo no dia de amanhã é a mola propulsora para levantarmos todos os dias do colchão em busca da nossa própria sobrevivência. Trabalhamos, comemos, reproduzimos, e...morremos. O dia fatídico chega para todos nós, e por mais que queiramos adiar tal pensamento, um dia o abraço de Thanatos nos contemplará. 


   A civilização ocidental, por ser marcadamente mais individualista do que a oriental, tem muito mais dificuldade em aceitar a morte e as perdas. Muitas religiões orientais pregam a morte como um renascimento, um despertar para um outro mundo, diametralmente oposto ao que ocorre no ocidente, onde amargamos o luto por dias,meses, anos. O trabalho psicológico com as perdas é muito mais dispendioso energeticamente para nós. As religiões pentecostais prometem um mundo melhor do outro lado, o espiritismo apregoa uma mudança de consciência, um existir eterno em outros planos, mas mesmo assim, ainda tememos a perda. Mas qual o motivo de tanto sofrimento?



   O luto tem marcadamente cinco estágios: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Cada um destes estágios tem suas características específicas. Determinadas pessoas podem ter mais facilidade em alguns momentos do que em outros, seja em virtude de filosofias de vida ou mesmo de aceitação pessoal.  O que ocorre em muitos casos é que a pessoa pode acabar ficando fixada em algum desses momentos. A negação é o passo inicial, onde, dado o choque da perda, nossa psique quer negar a todo custo o acontecido. A raiva, também reação bastante natural, é onde procuramos achar um culpado para o ocorrido. A barganha é quando a família ou o doente terminal se apegam a promessas ou votos, como meio de salvação. A depressão vem como consequência, após notarem que todas as tentativas anteriores se tornaram infrutíferas, para finalmente culminar na aceitação, quando o ser humano consegue se despir dos grilhões que o prendem.



   Aceitar a perda, e não falando necessariamente de morte, é algo que demanda tempo e vontade. Por um período a pessoa se retrai do mundo, retira seus interesses dos objetos externos. Um trabalho de elaboração energética precisa ser refeito, pois tanto o mundo interno, como externo, foram modificados. Pessoas, coisas e situações que ali estavam, agora já não estão mais, e fica difícil até se reconhecer no espaço vital. Porém, caso não se configure um caso de extrema depressão, a vivência da perda deve ser sentida e elaborada e a cada um deve ser dado o tempo necessário. E claro, o buscar ajuda é importante.



  As reações ao luto começam a ficar mais perigosas, quando além das reações citadas acima, instala-se também uma profunda melancolia. Tal estado pode ser confundido com as próprias reações do luto, exceto por serem mais intensas. Geralmente, vem acompanhada de sentimentos de culpa e baixa-estima, e uma grande tendência a idealizar o objeto perdido. Tais atitudes são bastante comuns em términos de relacionamentos, e demandam um pouco mais de cuidado do que o luto. Ambos estados requerem atenção, mas o luto é uma reação mais natural do que a melancolia.



  O desapego, que muitas filosofias e religiões apresentam, só pode ser vivenciado de bom grado se for inteiramente aceito. Não há, de forma alguma, como haver desapego se ainda houver fixação ao objeto perdido. Desapegar-se simplesmente, sem que haja um diálogo interno com a coisa perdida, é tapar o sol com a peneira, pois a dor da perda vai reaparecer em outro lugar, sob a forma de outro sintoma. Desapegar é elaborar e isso é um trabalho diário. Se viver é morrer um pouco a cada dia, desapegar é saber que nada nos pertence e fazer o nosso melhor a cada dia.Aproveitem o dia de hoje...pois é só o que nos resta.



Para encerrar com música, uma canção que trata de luto e desapego de uma maneira extremamente poética.
"Legião Urbana: Love in the afternoon"



Um grande abraço a todos
Muita paz e luz
Daniel Ramos
Psicólogo

sexta-feira, 21 de junho de 2013

...meu mundo e nada mais.O egoísmo na hora das manifestações

   Não há como mudar de assunto. Sem querer ser pedante ou repetitivo, a forma como as manifestações tem tomado conta do Brasil não devem ser retiradas de foco seja pelo lado bom ou não. Vale ressaltar as belas imagens da multidão pacífica adentrando à avenida Paulista, infelizmente maculada em outros lugares por cidadãos ignóbeis, que se aproveitam de uma mobilização social para promoverem atos de puro vandalismo e egoísmo. É lamentável, mas nós merecemos, pois isso é fruto da má educação e de uma falta de consciência ética e moral por parte da grande maioria da população, que se encontra em estágios retrógrados com relação às normas sociais.

   O Psicólogo Lawrence Kohlberg (1927-1987) responsável pela teoria do desenvolvimento moral do ser humano, fala de "estágios" desse desenvolvimento. Resumidamente, ele fala que a moral no ser humano são maneiras de raciocinar a respeito de situações, e que se espera que a pessoa vá adquirindo novas formas de pensar e se portar diante do mundo conforme amadurece. As respostas dos sujeitos perante os dilemas da vida mostram a forma como esse se mostra perante o mundo. Há três níveis de consciência divididos em seis estágios.

   O primeiro nível é o pré-convencional, cujos estágios pertencentes são:1-orientação para punição e obediência e 2- Hedonismo instrumental relativista. Nesse momento, o indivíduo ainda não tem claras as regras de convivência para o bem comum, importando apenas o prazer pessoal e a punição por seus atos. Se um ato foi punido é por que foi mal, se não o foi, é sinal de que foi considerado bom. É nesse estágio que se encontram as crianças e uma boa parte dos marginais e delinquentes, muitos dos quais puderam ser vistos nas passeatas, transmitidas pela mídia. Tais sujeitos precisam de uma moral imposta de fora, sem qualquer noção de reciprocidade ou respeito. Ou então, utilizam-se de uma moral própria, apenas afeita a satisfação do prazer pessoal. Foi o que apareceu nas imagens veiculadas por todos os cantos, nos últimos dias. O que se viu, além é claro, de pessoas de bom tom e consciência, lutando com sentido e sem violência, por mudanças no nível macro da sociedade, foram determinados indivíduos agindo por puro egoísmo, utilizando-se dos motivos pessoais para esbanjar violência e depredação.

   
A fixação nesse estágio pode ser a responsável pelo grande atraso social que se vê. O indivíduo não adquire uma noção de grupo, não incorpora a ética e moral como meios de vida. Para essas pessoas, não há motivos evidentes de que ser um cidadão ético traga alguma vantagem, pois é mais fácil viver pelo próprio prazer e obter ganhos imediatos, do que abdicar disso em prol do bem comum.
   
   Para Kohlberg, a solução é que tais pessoas consigam, através da tomada de consciência e educação, atingirem níveis mais elevados de moral, que são os níveis Convencional e Pós-convencional. No segundo nível, o Convencional, tem-se como estágios respectivamente 3- Moralidade do bom garoto, de aprovação e das relações interpessoais e 4-Orientação para lei e para ordem. Nesses estágios, que é onde se encontram uma boa parte das pessoas, o comportamento moralmente correto é o que leva a aprovação dos outros, a uma ordem social com papéis definidos. Noções de justiça já são incorporadas ao sujeito, porém, há pouca mobilidade e plasticidade na interpretação do certo e errado. É tudo muito "preto e branco", onde a justiça social sobrevém os valores pessoais.

   Por fim, no nível pós-convencional, que segundo o autor, poucos indivíduos conseguem alcançar, é onde se localizam pessoas como Gandhi, Jesus Cristo, Marthin Luther King. Os estágios 5 e 6 que correspondem respectivamente a Orientação para o contrato social e Princípios universais da consciência, a pessoa tem a noção de que as leis podem ser injustas e que, não sendo possível a mudança dessas leis pela democracia, ainda assim há a resistência, a luta e a desobediência civil, de forma justa.

  O que se viu nessas manifestações foi um pouco de tudo. Desde pessoas hedonistas e egoístas, agindo pelo próprio bem,passando por aqueles que querem mudanças para uma melhor ordem social do bem comum e  aqueles que entendem que o Brasil precisa de mudanças e reformas e que as leis não funcionam para todos. De qualquer maneira, as mudanças, para acontecerem no nível desejado, tem que primeiro acontecer no interior de cada um. Seria maravilhoso se todos pudéssemos chegar ao estágio dos Princípios universais da consciência, mas isso só será alcançado quando todos os estágios forem vividos e transpassados.

Muita força para todos os envolvidos e que esse Brasil mude de vez
Daniel Ramos
Psicólogo

terça-feira, 18 de junho de 2013

...e aquele garoto que ia mudar o mundo...

    Dando continuidade aos posts falando dos protestos e da nova onde que se anuncia no cenário político brasileiro, algumas situações tem me chamado a atenção. As manifestações ocorridas nas grandes cidades, tem como participantes, em boa parte, jovens de classe média e classe média alta. É interessante o fato de que essa mesma faixa etária era tida como alienada dos problemas do Brasil é quem está puxando todo um cordão de insatisfeitos, ajudando a dar voz a cor aos protestos. Porém não é sobre esse fato( ok, também é) que pretendo abordar nesse post e sim o fato de que algumas pessoas,da minha própria geração, parecem ter perdido completamente a capacidade de protestar.

   Há que se reconhecer que a minha geração foi um momento de transição. Fomos bombardeados pelo medo da ditadura, vivido pelos nossos pais e avós, pelo medo da AIDS, da violência, do desemprego, etc...minha geração foi treinada para ser uma geração feita para não protestar, mas mesmo assim, ao nosso modo, protestávamos. Podia ser uma revolta silenciosa, sem mudanças contundentes,mas até certo ponto sabíamos o que estava acontecendo. Embora boa parte insistisse em ignorar, havia muitos colegas com os quais convivi que eu apostaria que seria um grande revolucionário, ou no mínimo, alguém capaz de modificar situações estratificadas. Porém, para minha surpresa, vejo esses mesmos outrora jovens, mudando seu discurso, para algo mais brando e prolixo.

   Tal mudança pode se explicar através de diversos paradigmas: um dos pontos a ser ressaltado é a própria revolta comum da adolescência. Nesse período, é natural nos levantarmos contra a autoridade, seja dos pais, dos professores e da sociedade como um todo. Estamos nos colocando ainda como seres pensantes, e portanto, tateando nossos limites e potencialidades. É fácil portanto, encontrarmos um inimigo em comum e fazermos dele depositário de nossas próprias inquietudes. Nesses bons tempos é que surgem os presidentes de grêmio estudantis, que encantam os colegas com discursos efusivos, os representantes de classe, os talentos incipientes. Mas aí termina a adolescência, o colegial, vem a faculdade e muitas coisas mudam.

  Não mudam para todos. Uma boa parte ainda continua firme em suas convicções. O clima da universidade é propício para discussões acaloradas e plantio de ideias, que podem render frutos mais à frente. Os (bons) professores são aqueles que incitam ainda mais essas mentes a produzirem mudanças. Findado o período universitário, chega o momento de se deparar com o mercado de trabalho. Aí realmente as coisas começam a mudar de verdade.Nem sempre aquilo que foi ensinado e praticado nos meios acadêmicos será aplicado no mercado de trabalho. Criadores serão podados por patrões retrógrados. Revolucionários engolidos por sistemas estáticos e arcaicos. Portanto, o espírito de luta começa a ser mitigado.

   O Psicanalista Erick Erickson, em sua teoria, coloca que cada fase vivida pelo ser humano possui suas formas positivas e negativas de se reagir, bem como sua força básica. Falando de adolescência, o desafio básico perpassa pela coesão da identidade X coesão de papéis e que a força básica é a fidelidade. Por isso, nessa fase tem-se a necessidade de se agarrar a ídolos e ideais para uma melhor e mais saudável passagem pela adolescência. Já na idade jovem adulta, que Erickson coloca como sendo dos 18 aos 35 anos, o conflito vem entre Intimidade X Isolamento e a força básica é Amor. Talvez isso consiga explicar o fato de que muitos "revolucionários" do período de colégio e faculdade, começa a pensar que talvez a luta em campo não seja o melhor caminho e que está na hora de largar e as armas. Entra então a fase seguinte, da idade adulta propriamente dita, cujo conflito básico se encontra entre generatividade X estagnação, tendo como força básica o cuidado. Aí sim, o garoto que ia mudar o mundo, agora é um pai de família respeitado pela sociedade e por vezes, volta a fazer parte do mesmo ciclo que outrora combateu.

   Tais estruturas são arcaicas e arquetípicas, porém acredito também, que num momento de mudanças, há que se buscar de volta, seja na faixa etária que for, aquele jovem idealista, com sonhos na cabeça e flores nas mãos.

Não há como encerrar o post sem a música que deu origem ao seu título
"Cazuza: Ideologia"
http://www.youtube.com/watch?v=yUYEkrBfDrA&hd=1

Muita força e luz para todos
Daniel Ramos
Psicólogo


domingo, 16 de junho de 2013

A voz da coletividade

   Os protestos ocorridos recentemente em São Paulo e no Rio de Janeiro em virtude do aumento da passagem não são necessariamente uma novidade. Manifestações públicas são até certo ponto comuns, porém, estas em particular me chamaram a atenção. Em primeiro pela capacidade de organização e mobilização, auxiliados pelo advento e popularização das redes sociais, o que demonstra que o jargão inscrito no nosso hino nacional "deitado eternamente em berço esplêndido" vem caindo por terra. Segundo por demonstrar também que o brasileiro começa a dar um grande passo rumo a uma nova tendência, de se posicionar ativamente frente a tantas coisas que outrora a população aguentou calada.

   Contra os protestos sempre pesou o fato de termos no nosso DNA os eventos ocorridos na ditadura. As prisões arbitrárias e os espancamentos até hoje tem seu reflexo no nosso inconsciente, e nos remete, a cada imagem de protesto ocorrida na televisão, àqueles tempos negros. A polícia continua utilizando-se dos mesmos métodos. É uma força-tarefa embrutecida e truculenta, sem cerimônia na hora de distribuir safanões e "borrachadas", agindo da mesma forma que alguns anos atrás. O direito de manifestação e greve faz parte da nossa constituição federal e não deveria ser reprimido com tanta violência.

   Evidentemente que há pessoas que se aproveitam disso para espalhar atos de vandalismo, escoradas pela multidão, para que cometam crimes e passem despercebidas. A essas pessoas acredito que a polícia deveria intervir com mais rigor, e não mais violência, que fique claro. O protesto feito com sentido é a voz do povo perante uma situação de conflito, buscando mudanças. Não há manifestações de grande cunho popular se a causa não for de interesse coletivo.

   Mas o que vale a pena ressaltar é o motivo dessa nova mudança. Era de aquário? Crianças índigo? Crise de início de século? Tudo isso são conjecturas que se unem aos fatos que temos visto, mas o grande pilar de tudo isso se chama TOMADA DE CONSCIÊNCIA. Demorou alguns anos, mas aos poucos o povo brasileiro vai saindo do lugar do assistencialismo, do coitadinho e assumindo seu protagonismo. Nós  somos um povo jovem, ou seja, cronologicamente ainda somos adolescentes, e como tal, estamos buscando nossa identidade, passando por aquele momento de revolta e balanço dos alicerces.

   Durante anos, fomos tratados como crianças ignóbeis, mas tal qual os imberbes, um dia saímos do estado de dependência plena para atingirmos nossa emancipação, e para atingirmos este estágio, é necessário muita luta e luto. Luto pela infantilidade enquanto povo, que não se responsabiliza pelos atos e delega seu futuro aos governantes. A mudança passa pelo fato de saber que os governantes apenas estão ali para servir e não ordenar. E a luta por essa independência, pois assim como muitos pais protelam a independência dos filhos, nossos "pais" governantes vão lutar com unhas e dentes para encerrar essa nossa revolta e nos manter eternamente como crianças obedientes.A sombra coletiva do brasileiro, de passividade, vai tomando contornos agressivos, o que é natural,  pois só agora estamos nos dando conta de nossas potencialidades. Demora um tempo para aprendermos a lutar por nossos direitos, protestando, entretanto com mais efetividade e sem tanta perda energética.Na coletividade, temos força, porém, tendemos a nos deixar a guiar pelo grupo, perdendo um pouco de nossa individualidade para dar lugar aos interesses gerais.  

Para encerrar, uma música icônica do cantor Sérgio Sampaio, que trata daquela nossa imensa vontade de colocar tudo pra fora, de colocar nosso "bloco na rua"

Muita paz( e luta com consciência) a todo
Daniel Ramos
Psicólogo.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Amor e alteridade

    Camões dizia que "...o amor é fogo, que arde sem se ver" e já naquela época, o aclamado romancista português foi muito feliz na sua definição. Nem de longe foi a última ou a primeira, porém tal frase traduz perfeitamente o que se pode entender por amor. Diferente da paixão, que para alguns teóricos se assemelha a um surto psicótico, pois você enxerga coisas que não estão ali, e atribui características suas à pessoa, como uma neurose narcísica, típica dos surtos, o amor é algo que se constrói com o tempo, com a intimidade e principalmente: com a Alteridade.

    Por alteridade podemos entender a diferença entre o "eu" e o "outro", aquela membrana que nos separa e nos torna indivíduos. Porém, para chegar ao estágio da alteridade, há que se passar por diversos outros momentos. O primeiro momento na vida de um ser humano, quando do nascimento, é o estágio urobórico, que nos remete à serpente que morde a própria cauda, num sinal de perpétuo infinito. Nesse estágio, somos seres indiferenciados; a barreira entre Eu e ambiente não foi estabelecida. Somente com o passar do tempo e com as subsequentes  frustrações, começamos a evoluir para os outros estágios: O matriarcado e o Patriarcado, respectivamente. Não vou me deter muito nesse momento em procurar explicar sobre esses estágios, pois é um assunto assaz complexo, que exigira um post exclusivo, mas por hora, basta acrescentar que esses dois momentos são marcados na vida do indivíduo como características masculinas e femininas. No matriarcado, o indivíduo ainda está ligado à Grande mãe, portanto, ainda não se responsabiliza totalmente por seus atos. Já no patriarcado, começam a se instituir as regras e a moral para uma boa convivência. Aí sim, passados esses 3 estágios, o ser humano mentalmente e emocionalmente saudável se encontra em possibilidade e viver na alteridade. Mas o que é viver na alteridade?

   Viver na alteridade é aceitar o outro, o que não significa concordar o tempo todo ou dizer "sim senhor para tudo", é simplesmente entender que vivemos num mundo multiplural e multicultural, onde cada pessoa se encontra num estágio de evolução diferente e mesmo, possui gostos e idiossincrasias distintas. Se nem nossos dedos das mãos são iguais, em mundo com bilhões de pessoas, porque também seríamos? Agora, o que tem a ver o amor, com a alteridade?

    O amor existe, independente de classe social, idade, credo, porém, como foi citado acima, o amor pode ficar preso em algum dos estágios supracitados. O amor urobórico é o amor narcísico, onde cobramos do outro, aquilo que vemos em nós mesmos e nos sentimos frustrados quando este não corresponde a nossas expectativas. O amor matriarcal é aquele que pode ser ao mesmo tempo afetuoso e castrador, unindo ao mesmo tempo as características da Grande Mãe e da Mãe terrível. O Patriarcado já começa a dar um passo em direção a alteridade, quando já inicia uma responsabilização do outro por suas próprias atitudes.

ESCOLHAS SEXUAIS

    A sociedade passa por um momento de transição, de revisão de valores, o que é natural em todo começo de século. A questão das escolhas sexuais para mim, nada mais é do que um passo na direção da alteridade, falada no início. Aceitar o outro, viver na diferença é um exercício diário. Homossexualidade não é doença, tampouco distúrbio de comportamento, como apregoam algumas religiões e até mesmo alguns teóricos. A homossexualidade existe até mesmo na natureza, portanto, faz parte do plano original da criação. 

    Freud categoriza a escolha do objeto de amor de duas maneiras: A escolha anaclítica, onde a escolha do objeto amoroso é alguém diferente do indivíduo, indicando um ego saudável e diferenciado, que atingiu sua maturidade, passando para a fase do narcisismo secundário. E a escolha narcísica, onde o sujeito escolhe como depositário de suas paixões, alguém exatamente feito à sua imagem e semelhança. Porém a questão a igualdade não depende do gênero sexual. Na minha opinião, as pessoas são configurações energéticas, tal qual a imagem dos arquétipos junguianos. Sendo assim, um relacionamento homossexual pode perfeitamente versar sobre a categoria de escolha de objeto anaclítica, pois o que importa é que ambos mantenham a individualidade e a eterna consciência de que o outro não é o reflexo distorcido da sua imagem.Um relacionamento homo-afetivo possui os mesmos problemas dos relacionamento hetero-afetivos, ou seja: as pessoas. O comprometimento, a capacidade de doação e de ser você mesmo na relação prevalece independente da opção sexual. Alteridade é sinal de maturidade e capacidade de se envolver e de se deixar envolver.
   O número de pessoas no mundo aumentou e consequentemente aumentou o número de pessoas que fizeram sua opção pela homo ou bissexualidade. O clima da época nunca foi tão propício para que as pessoas revelem seus verdadeiros propósitos, e um dos nossos é sermos felizes. Pessoas felizes, seja com a opção que desejarem, espalham essa felicidade ao seu redor e é disso que o mundo precisa. 

   Portanto, nessa semana dos namorados, sejamos felizes com nossas escolhas e com nossos(as) parceiros(as) e saibamos enxergar o outro não como um espelho para nossas projeções e sim como alguém que fez a mesma opção de estar junto dentro de um relacionamento.

  Para encerrar, uma música que para mim resume um pouco do que foi escrito nesse post. A canção "Amor,meu grande amor" de Angela Rô Ro, regravada pelo Barão vermelho


Muita luz e amor para todos.
Daniel Ramos
Psicólogo

terça-feira, 11 de junho de 2013

...e eles se foram tão jovens...

    Desde que o mundo é mundo, sempre existiram pessoas à frente do seu tempo. Progressistas, no melhor sentido da palavra, destruidores de tendências e paradigmas, "apontadores" de um novo aeon que se avizinha, preparando o terreno para novos tempos. O traço em comum que liga muitos desses chamados "gênios" é simples: a grande maioria foi considerada louca ou no mínimo, seus inventos e descobertas não puderam ser codificados à época em que foram trazidos a público. Já dizia Schopenhauer "O gênio está mais próximo da loucura do que do pensamento mediano".

    Para muitos desses homens e mulheres, a genialidade acabou por afastá-los de uma vida comum, fazendo com que fossem ainda mais alvo de estudos e pesquisas posteriores, e não raro, uma aura de mistério e misticismo acaba por cercar suas vidas. Leonardo da Vinci, Aristóteles, Helena Blavatski, August Comte e um sem número de outras figuras históricas que tiveram a marca da criatividade que transpassava os padrões vigentes até hoje são temas de acalorados debates sobre as obras que deixaram, sem que se chegue a uma conclusão definitiva.

    Mas,estaria o gênio realmente fadado à loucura e ao sofrimento? O professor Ernst Kretschemer em suas pesquisas chegou a afirmar que a doença mental, em seus meandros de desajuste social e constituição mental diferenciada pode, em alguns casos, produzir o que se convencionou chamar de gênio. Os sintomas mais leves da doença mental, principalmente condições maníaco depressivas menos severas, podem ter relação com a produção criativa. Seguindo a mesma linha, Cesare Lombroso é categórico em afirmar que se encontram mais traços de degeneração mental em gênios do que em psicóticos. Para ele, muitos dos homens notáveis dos séculos que se passaram vieram de famílias com históricos de doença mental e excentricidade.

    Voltando nossas lentes para a história mais recente, mais especificamente na música, tivemos vários exemplos do gênio atormentado e incompreendido, que mergulhou fundo na psiquê humana, trazendo conteúdos do inconsciente coletivo, acertando em cheio e dando voz a tudo que uma geração queria dizer, mas que não encontrava palavras.A sensibilidade do artista é capaz de romper tempo-espaço e afundar num mar de sentimentos difusos e trazer de lá o ouro da poesia e inspiração, que toca corações e almas numa mesma sintonia.

   Porém, há uma grande cobrança para quem nasce com a fábula do talento artístico: essa permeabilidade e facilidade de dialogar com sentimentos também mostra-se fatal, principalmente no que tange à vida pessoal do gênio. Muitos deles, para não dizer a grande maioria, não consegue se desvencilhar dos próprios demônios. A facilidade pra falar de amor não significa que o amor bateu à sua porta sem pedir licença. O artista genial sofre, e ainda com mais intensidade que a pessoa comum. Chafurda na dor incompreendida por ele, mas cantada em prosa e verso de maneira magistral. E claro, o desfecho é quase sempre fatal, ainda associado ao abuso de drogas e álcool.

   Exemplos não faltam: A trindade do 27, composta por Janis Joplin, Jim Morrison e Jimmy Hendrix, cujas semelhanças numerológicas chegam a ser assustadoras, hipnotizaram plateias nos anos 60, porém caíram vítimas de uma geração de experimentação exagerada. E assim o foram Sid Vicious, Kurt Cobain e mais recentemente Amy Winehouse, dentre tantos outros que marcaram suas respectivas gerações. Claro que fiz um resumo mais do que sucinto, pois os nomes não faltam.

   No Brasil a coisa não foi diferente. De Renato Russo a Raul Seixas, Cazuza, Elis, Chorão...todos vítimas de suas próprias sombras. A dor do artista se dissolve nas palavras de sua obra, que os fãs recebem em doses homeopáticas.Porém ao artista, fica a carga completa de tudo aquilo que foi passado, com matizes ainda mais vivas e sentidas. Mas não fossem eles, nossa vida seria infinitamente mais sem graça.

   
Com tanto artistas citados, ficaria injusto colocar uma música que resumisse o que foi falado.
Referência: SILVA,S.A.A;CAVALCANTI,C.M.O;BASTOS,O.Genialidade e Loucura.NEUROBIOLOGIA, 73 (1) jan./mar., 2010. Disponível em http://www.neurobiologia.org/ex_2010/14_ARTIGO_GENIO_CRIAT_BIPOLAR_vi(OK).pdf

Um grande abraço a todos
Daniel Ramos
Psicólogo.





domingo, 9 de junho de 2013

A sombra da maldade?


    Não há como não ligar a TV hoje em dia e não se alarmar com a quantidade de crimes absurdos que tem sido noticiados a torto e direito, ocupando cerca de 80 a 90% dos programas jornalísticos( alguns chegam a 100%). O banho de sangue que se vê nos faz pensar que na verdade já se iniciou a terceira guerra mundial e  nós apenas não nos damos conta. O número de mortes no Brasil e nas grandes metrópoles já ultrapassa as cifras de confrontos bélicos mundiais, e o que é pior: sem qualquer sentido. Mata-se por nada, NADA mesmo. Crimes motivados por amor, vingança, roubos, sempre foram comuns, agora crimes em que a vítima por vezes não possui nem mesmo bens de interesse nos fazem pensar a que ponto o índice da maldade do ser humano tem chegado.

    De acordo com as chamadas profecias Maias, no mundo moderno as máscaras cairiam e as pessoas se mostrariam como verdadeiramente são. Se é isso que se tem visto, o mundo está povoado de criaturas egoístas e sem coração? 

    O Ser humano é o ser para a Morte. Essa é a grande verdade universal. Nascemos para morrer, mas daí tratar a vida como algo fugaz e frívola, nos faz repensar toda uma malha de situações que criamos para a nossa vida. O sistema financeiro atual estimula o isolamento, o individualismo e a competitividade. Se eu posso ter um castelo, um feudo, cercado com grades elétricas e vidros à prova de balas, o mundo lá fora pouco me preocupa. A oferta de produtos, o "Ter" no lugar do "Ser" faz com que haja ainda mais desigualdade.

    Agora, voltando ao tópico da maldade, me pergunto: o ser humano é mal?bom?neutro? Pra mim, tudo depende da velha díade: fatores constitucionais+fatores ambientais. Trazemos no nosso DNA certas tendências a determinados tipos de personalidade. Podemos ser propensos a ter um temperamento mais biliar, sanguíneo, colérico ou fleumático( citando a teoria dos quatro humores, aprimorada por Galeno). A constituição herdade trás muito do potencial a ser desenvolvido. Pesquisas mostram que filhos de delinquentes tem uma propensão muito maior a também se tornarem delinquentes( http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-44462000000600004&script=sci_arttext). 

   Mas isso não significa um determinismo absoluto. O ambiente também tem sua parcela decisiva na formação da personalidade. O temperamento está presente, mas o seu desenvolvimento será encorajado ou desestimulado pela sua interação com o meio. Um lar desajustado é terreno fértil para a criação de uma pessoa com distúrbios e transtornos de personalidade. Porém, um lar afetivo e harmonioso também não é receita certa para uma vida mental saudável.

   Quando falha o ambienta e o fator constitucional já vem carregado de bagagem, o que pode ocorrer é o que vemos nos noticiários. Crimes tão bárbaros, que por vezes me pego a pensar se ainda estamos lidando com seres humanos. É triste dizer isso, mas para alguém chegar a cometer esse tipo de crimes, é por que já se desconectou de tudo que o liga a uma sociedade. Culpa da pessoa?Talvez, mas também de toda uma rede que dá as costas e não oferece oportunidades.

   A questão do Transtorno de personalidade antissocial, ou o Psicopata, comumente chamado, é assunto que tratarei em outro post devido a complexidade do tema e sua ligação com a figura que permeia nosso inconsciente coletivo, ligado ao arquétipo do mal. 

    O Tratamento? Diversas correntes discutem a respeito disso, porém, o que se tem em comum é que se faz necessário um trabalho em conjunto, entre indivíduo, família e comunidade, podendo ter a oportunidade de restabelecer um diálogo que foi interrompido e no seu lugar, surgiu a violência como forma de expressão.

    Para encerrar, uma música que trata do tema, com a tradução no próprio clipe, da banda The Who, regravada pelo conjunto Limp Bizkit, chamada "Behind blue eyes"

Muita luz para todos vocês
Daniel Ramos
Psicólogo

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ansiedade e o viver Agora


     Dizem que a depressão é o mal do século 21. Essa frase já é mais do que batida, mas não deixa de ser verdadeira. Aquela sensação de desânimo, falta de volição, hoje é considerada doença.A depressão entra na categoria de transtorno de humor, segundo o CID 10( Classificação internacional de doenças), que também classifica na mesma categoria Ciclotimia, distimia e a nova vedete da mídia: O transtorno afetivo bipolar. Todos esses transtornos tem em comum o fato de serem prejudiciais, principalmente no aspecto social do indivíduo. As alterações de humor não possuem uma causa específica, a não ser que sejam causadas por uso de medicamento ou substância psicoativa, o que descaracterizaria a categoria de classificação. 

    Os transtornos de ansiedade, nos quais também são colocados os transtornos obsessivo-compulsivos, estresse pós-traumático e de ansiedade generalizada, dentre outros, se caracterizam por diversos sintomas, sendo os mais comuns  insônia, preocupação excessiva, angústia permanente, dificuldade de relaxar, e não raro, aparecem os sintomas físicos como cefaleia e dores musculares e de estômago.Já para o diagnóstico de transtorno depressivo, são comuns os sintomas de desânimo, perda do interesse em atividades comuns, humor deprimido, baixa estima, falta de concentração, ideação suicida, etc.O transtorno se caracteriza por algo muito mais insidioso, de caráter permanente ou intermitente, mas que de certa forma assume o controle, preenchendo de energia psíquica os complexos pré-existentes, tirando da pessoa a possibilidade de comandar a "própria casa".
 
   Porém, o que me cabe pensar é o porquê da depressão e a ansiedade, serem tão comuns nesse atual período em que vivemos? Uma frase que me chamou a atenção e até me inspirou para começar esse post foi a seguinte: "Depressão é excesso de passado na mente; ansiedade, excesso de futuro!" É engraçado notar como essas duas entidades se misturam, formando quase um combinado, porém se revezando no comando mental do indivíduo. Ora os grilhões do passado se arrastam num sintoma depressivo, ora se aglutinam numa cobrança exagerada por um futuro que nem existe, gerando a ansiedade. E assim, as duas irmãs malvadas fazem seu ritual, atormentando nossas almas, exigindo sacrifícios em seus nomes a cada passo dado em direção a nós mesmos.

    Geralmente a ansiedade se instala com a nossa própria cobrança, nosso juiz interno repressor, também chamado por Freud de Superego, que nos instiga a sempre querer mais, a atingir um ideal, que pode ser inalcançável. Soma-se isso a uma sociedade de consumo exagerado, e teremos quase uma corrida armamentista em busca de uma felicidade "Doriana", que só é vista no núcleo rico da novela das 9. E nunca estamos satisfeitos. Não que isso seja ruim, apenas a forma como isso é passado. O desejar é do ser humano, mas o sofrimento que isso gera é que torna toda a situação um pesar.

    Já a depressão pode vir por uma situação não satisfeita, frustrações excessivas, geradas por expectativas também muito elevadas, mas que quando confrontadas com a realidade, geram esse embate entre o querer e  o poder realizar. A sociedade nos cobra, mas nós também somos os primeiros a nos cobrar por coisas que muitas vezes nem estão ao nosso alcance. Se sempre fazemos nosso melhor, por que sempre achamos que podemos mais? E assim, o descanso merecido nunca vem. 

    Há uma grande dificuldade em viver o agora, o presente. Desfrutar os momentos, sem pensar no amanhã. Acho que essa sabedoria que reside na simplicidade, de tão simples, é que nós complicamos. Não existe passado, nem futuro,pois o passado apenas revive na evocação e o futuro na imaginação. 

    Para encerrar, deixo um vídeo com uma música excelente, do cantor Oswaldo Montenegro, chamada "A lista" que fala das nossas formações de compromisso.
http://www.youtube.com/watch?v=Y5RI77hYTI4&hd=1

Grande abraço a todos.
Daniel Ramos
Psicólogo

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O início, o fim e o meio

     

    Para inaugurar meu blog, nada melhor do que falar um pouco do que me trouxe aqui hoje. Como no Tarô, todos, cedo ou tarde, no damos conta de que estamos aqui por algum propósito, algo maior que nos move. Diversas vertentes discutem sobre o que seria essa tal força; para os religiosos, como a luz do criador primordial, conhecida como Deus; para os adeptos da corrente exo/esotérica, o chamado pode ser entendido como a intuição, a ligação pura com o Eu superior. Os psicanalistas poderiam atribuí-la a líbido e os Jungianos, a boa e velha Energia psíquica. Mas nessa primeira postagem, não pretendo me fixar em nenhuma teoria ou conceito e sim, falar um pouco sobre jornadas, e em especial um pouco da minha.

      Como disse, chega um dia na vida, que percebemos que andamos por uma estrada, em direção a algo, guiados por uma energia de força criadora e percebemos também que tudo que fica à beira da estrada são subterfúgios, mas que deixam o caminhar mais pesado, ou mais colorido, dependendo das nossa paragens. Sabe quando você acorda um dia e percebe que tudo aquilo que você fez, seja certo ou errado, te levou exatamente para aquele ponto onde você deveria estar? E que nada, absolutamente nada está fora de lugar ou contexto no universo?

     Minha infância foi normal, boa até certo ponto. Fiz o que podia ter feito para uma criança naquela época, embora nunca tenha sido muito dado a pipas, peão e bolinha de gude, sempre gostei do futebol na calçada, dos Comandos em ação e de Videogame( para o terror do meu padrasto). Adolescência comum, com todas as idiossincrasias a ela pertencentes( ainda volto a falar nesse período em especial), embora a primeira parte dela tenha sido bastante complicada. Só quando me tornei um jovem adulto é que as coisas começaram a mudar. Lá pelos meus 23 anos, eu sentia uma tristeza infinita, uma dor que não tinha significado, proveniência e ou causa específica. Minha fuga foi para o humor ácido, a cerveja com os amigos e os meus amados Super heróis( que até hoje me tiram de enrascadas existenciais). Até que um dia, após uma discussão em casa, comecei a sentir uma dor muito forte no estômago, que me acompanhou ininterruptamente durante 3 anos. Emagreci 25 quilos, perdi cabelo, massa muscular cálcio, mas de forma compensatória, acabei adquirindo uma vontade de viver absurda, que fez com que mesmo aturdido pela dor, eu seguisse em frente, buscando esse caminho que nem eu mesmo saberia onde iria dar.

    Descobri nesse tempo a espiritualidade( sem ligação com qualquer religião), voltei ao meio acadêmico e finalmente me apaixonei pela Psicologia, e fiz dela minha profissão. Tudo isso para falar sobre Jornadas. Quem de nós, nunca passou por uma dessas? Sejam mais simples, tempestuosas,alegres, são elas que fazem com que se saia do lugar comum. Se você não se move, a vida faz isso por você. Não vou me prender nos mitos do Tarô para falar da jornada nessa postagem específica, mas pretendo voltar a esse assunto mais adiante.

Por fim, gostaria de compartilhar uma música que sempre me toca, principalmente no seu segundo verso, quando diz "Já chegou o dia em que você levanta e acha que fez a primeira parte de tudo que queria e agora chegou sua vez....", música dos meus grandes ídolos Sá e Guarabyra
"Sá e Guarabyra: Segunda Canção da estrada!"

Um grande abraço
Muita paz a luz em sua vida
Daniel Ramos, Psicólogo