quinta-feira, 26 de setembro de 2013

"Sonho que NÃO se sonha só...

    Após algum tempo sem postar, eis que volto de um breve interstício criativo, para voltar a expôr determinados temas que me são caros. Longe de mim esgotar determinado assunto, o que pretendo colocar são apenas breves explanações a respeito de como a ciência da Psicologia adentra temas do cotidiano. Para  reiniciar os posts, gostaria de escrever brevemente a respeito dos sonhos. Claro que um tema tão vasto e controverso não caberia num único post, portanto, pretendo voltar a esse assunto em diversas outras oportunidades.

   O que são os sonhos? Difícil responder a tal assertiva, pois trata-se de um assunt
o polêmico, que trespassa a humanidade desde a aurora dos tempos.Para muitos, os sonhos são uma espécie de vida paralela, onde temos contato com realidades impensáveis, deuses e seres mitológicos, cerceados por uma malha de figuras criadas pela imaginação humana. Os xamãs e grandes líderes espirituais seriam seres iluminados, com grande facilidade de acesso a essas dimensões, com ou sem estados alterados de consciência.

   De uma maneira geral, podemos entender os sonhos como um momento de relaxamento da psique, onde é passado a limpo tudo aquilo que tem acontecido nos momentos de vigília. Freud, que baseou grande parte do arcabouço de seu tratamento na interpretação de sonhos, os colocava como a repetição ou a realização, de desejos reprimidos e recalcados pelo Ego ao longo do dia. Portanto, uma maneira da psique se autorregular e dar vazão a vontades não satisfeitas.

   Foi C.G.Jung quem trouxe novas contribuições à interpretação dos sonhos. Em primeiro lugar, ao retirar a palavra interpretação e substituí-la por análise. Para Jung, um sonho não pode ser interpretado a nível simbólico, com conteúdos fixos, pois cada inconsciente trás à tona imagens condizentes com a realidade de cada um, e sim analisado, em uma aliança terapêutica com o paciente, onde este deve sentir e dialogar com as imagens formadas pela sua própria psique. Nesse caso, o terapeuta serve como um guia, e não como o dono do saber.

   Ainda para Jung, os substratos inconscientes sofrem influência tanto do inconsciente individual, quando do inconsciente coletivo, formando diversos tipos de sonhos. Existem os sonhos premonitórios, onde nosso Self, o centro máximo organizador da experiência humana,nossa porção divina, tenta nos alertar sobre alguma situação perigosa. Sonhos de morte e assaltos geralmente vem informar sobre atitudes cristalizadas, que precisam "morrer", e ceder lugar a novas formas de se conceber o mundo. Imagens de animais selvagens podem indicar repressão de instintos básicos, querendo vir à tona. Mas, alertando mais uma vez, os símbolos são individuais, e o sonho os utiliza como possibilidade para uma mudança de atitude. 

   Os sonhos são imagens produzidas espontaneamente pela psique objetiva, visando "alertar" o ego sobre possíveis atitudes unilaterais; aquela velha falta de atenção a prazeres básicos e pequenos momentos felizes. Até mesmo os pesadelos tem sua função ,como um tratamento de choque para um ego muito enrijecido, cujas imagens buscam tirar o EU da sua posição de conforto.

   Por fim, mas sem encerrar de vez o assunto, há os chamados Grandes sonhos, que seriam aqueles cujos símbolos estão mergulhados em significados ocultos ou mesmo de grande conteúdo numinoso, sagrado. São aqueles sonhos que por vezes, guiam grandes homens. A história conta que figuras como Moisés, Maomé e tantos outros decidiram seguir seu caminho após um grande chamado, visões reveladas durante o sono. Porém os grandes sonhos estão acessíveis a todos, pois  estamos imersos no mesmo inconsciente coletivo, e nele encontramos as mesmas imagens.

   Prestemos atenção aos nossos sonhos, pois eles são a porta de entrada para nosso mundo interior.

Um grande abraço
Daniel Ramos
Psicólogo

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