quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Os chamados da alma

   
  Os antigos,modernos, induístas, xintoístas, católicos,budistas e tantos outros concordam em uma coisa: dentro de cada ser existe uma centelha, uma fagulha divina que é o motor de combustível infinito de nossa existência através das eras: a alma. O nome varia, mas poucos duvidam que o corpo humano é constituído por algo a mais além de órgãos e vísceras.

   
   Houve um tempo, principalmente no Século 18 , em que se acreditou que o ser humano fosse apenas um amontoado de músculos e que tudo na vida pudesse se resumir a equações matemáticas. O mundo tornou-se cartesiano e assim, sistematizou-se todo o conhecimento. O Iluminismo trouxe enorme contribuição à área científica, tentando explicar os fenômenos reduzindo-os a causas mentalistas. O que trouxe um novo paradigma de conhecimento, também acabou por afastar da vida cotidiana, assuntos mais ortodoxos, como os meandros do sentimento e do espírito. O prisma iluminista tornou-se tão forte, que até hoje, tais assuntos são tratados como tabu pela própria academia.

   
  A ciência e o espírito permaneceram separados durante muito tempo, dialogando em paralelo sobre o mesmo assunto, sem admitir que fazem parte do mesmo plano de existência. A ciência afirma A, os alternativos, espiritualistas e religiosos afirmam B, e todos no fim, querem dizer C. Parece que aquilo que é da alçada da alma, não tem lugar no mundo empírico da universidade.

   
  Porém, muitos teóricos cultuados na academia não ignoraram por completo que o ser humano é controlado e regido por leis e princípios invisíveis. Desde Freud, que traçou seus estudos através de Josef Breuer, culminando na Psicanálise, cujo principal escopo é a teoria que somos principalmente controlados pelo nosso inconsciente, tivemos tantos outros que passaram sua lente sobre o desconhecido e não palpável. Dentre eles, talvez aquele que mais se aventurou por esses caminhos tenha sido C.G.Jung, cujas ideias muitas vezes foram rechaçadas pelo círculo acadêmico devido ao teor "esotérico" de sua obra. Jung adentrou por caminhos diversos e polêmicos, utilizando-se de conceitos alquímicos e da simbologia do Tarô como ferramentas na constituição de seu arcabouço teórico.

   Gosto muito de uma comparação do ser humano com um computador. A torre seria nosso corpo físico, a parte mais externa da máquina. A energia elétrica que a alimenta, o espírito. Os programas seriam nossa consciência, a inteligência que opera dentro da máquina e nossa alma, no meio disso tudo, seria o operador do computador, a inteligência suprema por trás de tudo isso. A alma é a nossa imago divina, nossa porção de deuses e deusas. A queda do paraíso nunca aconteceu: fomos nós que nos esquecemos de quem somos.

   
  Nossa alma ( ou Self, citando Jung) sabe o que é melhor em cada momento de nossas vidas. Como a inteligência que opera, ela sabe onde devemos estar, e o que viemos fazer nesse planeta. A grande dificuldade da vida começa quando o "programa" começa a discutir com o "operador". Como disse, não há dúvidas da divindade que habita em cada um de nós, mas há sempre a possibilidade do nosso eixo Ego-Self ficar bloqueado. Geralmente acontece quando teimamos em seguir nossa razão ou teimosia, ao invés de ouvir o nosso chamado interior. Isso bloqueia o fluxo de energia universal e interrompe o clamor da alma.

  
   É fácil reconhecer as pessoas que seguem o chamado da alma: elas estão ao nosso redor a todo tempo. Nem sempre são aquelas mais bem sucedidas financeiramente ou com o maior cargo da empresa, mas são aquelas que se reconhece no olhar, aquele brilho fulgurante de quem se atreveu a realizar-se de si mesmo. Fácil, difícil? Tudo é uma questão de começar. Um pequeno exercício: Quando foi a última vez que fizemos algo que realmente gostamos? Ou tiramos o dia pra não fazer nada? E o pior, quando nos perguntamos se estamos fazendo a coisa certa? A resposta é sempre aquela sensação de dever cumprido que nosso travesseiro tanto ama.Não há como fugir de nossa alma, nem dos nossos chamados e compromissos. Cedo ou tarde eles batem à nossa porta e a grande questão é saber se estamos ou não preparados para atender.


Grande abraço a todos
Daniel Ramos
Psicólogo.



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